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    What for?

    Pra que, eu te pergunto? Pra que o trabalho, o tempo, os livros, a terapia, o hospital, as mensagens, os remédios, os telefonemas, o messenger, os e-mails? Pra que tentar? Pra que explicar e pedir desculpas? Pra que continuar a colocar um pé diante do outro e recomeçar a cada manhã? Se o novo tem lugar cativo onde eu antes vivia, se eu não tenho justificativa melhor para o que eu fiz, e mesmo que eu tivesse... pra quê? E se isso importasse, nem eu saberia dizer. "Mas isso não importa mais não", não é mesmo?



    Escrito por má com acento mesmo às 17:50
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    Minha casa

    "É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
    Mais fácil viver de sombras que de sóis
    É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro..."

    A primeira vez que pisei em um consultório de uma dotora da cabeça eu tinha 18 anos, planos para mudar o mundo e a certeza de que não pertencia a ele, confirmada por aqueles que me cercavam em casa, na igreja, nas festinhas e na faculdade. Onde eu pertencia, no entanto, ainda era uma idéia vaga.

    "Não quero ser triste como o poeta que envelhece lendo Maiakóvski na loja de conveniência
    Não quero ser alegre como o cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo..."

    Passados os anos e alguns dos sonhos de grandeza, quando eu comecei a viajar e conhecer o mundo como só nos livros eu tinha imaginado, um mundo onde dinheiro não era problema, de festas e riquezas e novidades, achei por um tempo que minha vaga idéia de onde eu pertencia começava a tomar forma. Cidadã do mundo, sem casa, nem pertencimento. 

    "Nem quero ser estanque como quem constrói estradas e não anda
    Quero no escuro como um cego tatear estrelas distraídas"

    Foi só alguns anos atrás que entendi o que eu precisava para pertencer a algum lugar. E, assim como a idéia demorou para tomar forma, demorei alguns anos para construir minha casa. Com visão. Com ajuda. Com companhia. Com amor.

    "Veja o mundo passar como passa uma escola de samba que atravessa
    Pergunto onde estão teus tamborins? Sentado na porta de minha casa
    A mesma e única casa
    A casa onde eu sempre morei"


    Alguém me contou que os romanos diziam que "nossa casa está onde está nosso coração". Hoje está tudo lá: a cadeira de balanço, os retratos na parede, a mesa onde servi amigos e estranhos, as almofadas costuradas à mão pela minha mãe, os pequenos artigos de decoração cuidadosamente alocados, as gavetas vazias e meus livros em uma caixa. Eu não moro mais lá, mas é lá onde eu sempre morei e ela sempre morou em mim.



    Escrito por má com acento mesmo às 01:18
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    My plea

    Deixa-me cuidar de você como o bom samaritano. E te achar na estrada e cuidar de suas feridas com óleo e especiarias e perfume, uma a uma, até que elas se fechem e cicatrizem e não sejam nada mais do que uma leve lembrança da minha queda. E deixa eu vigiar teu sono, te cobrindo de beijos e abraços, te assegurando que a tempestade passou e chegou a hora do descanso. Deixa eu passear minhas mãos pelo teu corpo e recobrar a memória da tua pele e cheirar seus cabelos e me intoxicar com seu perfume. Deixa eu reparar o meu dano, o meu erro, minha queda e cantar minha verdade até que seus ouvidos consigam acreditar nela novamente. Deixa eu te conquistar, te cercar de carinhos, te cobrir com o que posso de oferecer. Não é muito, eu sei, mas é completamente teu.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:21
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    Pra que é que serve uma canção como esta?



    Escrito por má com acento mesmo às 22:33
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    The valley of the shadow of death

    Talvez o livro mais lido da Bíblia seja os Salmos, quase na totalidade atribuídos a Davi. E Davi é talvez o personagem mais falado e querido no Velho Testamento. Davi foi o rei humano, aquele que começou como pastor matando o gigante, o músico da corte do rei, o chefe dos exércitos, o que caiu nos encantos da mulher casada, e ainda assim, o homem "segundo o coração de Deus".

    Davi tinha essa humanidade de começar um salmo dando louvores a Deus, chegar no meio e amaldiçoar os inimigos e terminar pedindo perdão a Deus, contrito. Foi ele quem perguntou "Por que estás atribulada, minha alma?" e foi ele também quem andou pelo vale da sombra da morte e não temeu, pois a vara e o cajado de Deus guiavam. A vara, para os pastores, é pra colocar as ovelhas no caminho e o cajado para ajudar na caminhada. Nenhum dos dois dá prazer, mas são eles que consolam o salmista.

    Hoje eu entendo melhor o "não temerei mal nenhum". Na verdade, quando se está no vale, há pouco que possa ser pior do que estar lá, portanto não se teme o mal. Você começa a aprender a dar graças ao Deus que dá e toma de volta. E se contenta com o mistério, mesmo que não entenda.



    Escrito por má com acento mesmo às 02:14
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    Aprendendo a aprender

     

    Eu só sei amar cuidando. Na minha confusa cabeça, se eu amo uma pessoa, preciso dar a ela o melhor de mim: a melhor comida, a melhor casa, o melhor carinho, o melhor programa... e tudo absolutamente, intensamente, completamente, cem-por-centomente Marília. Foi assim que aprendi a amar e é assim que sei ser amada. Agora, depois de 35 anos, me falam que eu tenho de aprender a cuidar de mim mesma porque se a gente não se cuidar, ninguém vai fazer nosso trabalho por nós. E isso, querido leitor, é muuuuuito difícil para meus neurônios processarem. Tá bom, existem ferramentas e especialistas que supostamente me ensinarão a caminhar novamente, mas você já tentou fazer uma coisa de um jeito diferente do que sempre faz? Ler um livro do fim para o começo, por exemplo?

    Semana passada, sentada em um bar em uma longa noite de insônia, observei um bartender fazer meu coquetel. Os movimentos firmes, certos e precisos como só quem sabe o que está fazendo tem e, ao mesmo tempo, uma calma, um cálculo e tranquilidade em cada movimento, cada escolha de cada bebida que me absorveram. Eu poderia me perder nos movimentos dele e morrer de inveja ali mesmo porque eu não sei ser comedida. Eu quero seu tudo e eu dou meu tudo pra você. Sempre. E ainda não aprendi a fazer diferente. Mais do que isso, tenho medo de perder a Marília sendo qualquer outra coisa que não eu mesma.



    Escrito por má com acento mesmo às 22:51
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    Sua estupidez não lhe deixa ver

    A estúpida pessoa que vos escreve viu o CD ao vivo da Roberta Sá lá na prateleira, acenando pra mim, todo novinho, cheio de plástico difícil de abrir e tudo, e o que fez? Pensou, "eu tenho os outros, não preciso deste". A resposta, no entanto, estava: ERRADA! Roberta Sá nunca é demais. Nunca! Agora, espera chegar no Amazon e sofre enquanto os outros têm e você não.


    Não é fenômeno novo esse da língua portuguesa e não deveria me incomodar tanto, mas incomoda. Tá mais difuso, mais comum, mais hororroso nos meus ouvidos. A nova gramática oral portuguesa usa pronome pessoal e... pronome pessoal de novo juntinho com relativo na mesma frase assim, ó: A Má é uma pessoa que ela está em crise. 

    Eu sei, você está balançando a cabeça e dizendo "Isso eu nunca ouvi". Ouviu sim. Pare aí e ouça agora mesmo. E grite por mim e por você.


    Vou logo avisando, o excelentíssimo presidente desta democracia hipócrita declarou solenemente que não há crise nos Istaites. BS!!! Eu AINDA estou em crise, apesar da tecnologia, da modernidade e das apostas contrárias.


    Enquanto isso, no lado B, a amiga salvou um dia insalvável. Sim, esse eu cunhei mas não tem direitos autorais. Pode usar.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:00
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    mas isso não importa mais não

    Eu nunca tinha entendido o motto: viver um dia de cada vez. Agora, depois de muito sofrimento e leitura e portas na cara, acho que entendo. A gente vive nesse lema porque na verdade não há futuro. Não há planos para amanhã, nem pra o fim de semana, nem o próximo feriado, nem sequer férias. Há o nada e a gente se acostuma a viver com o nada porque na verdade o nada é a única coisa que nos resta. Acordar a cada manhã e conseguir levantar da cama é a vitória suprema. E daí, é um passo na frente do outro. Certamente é um estilo diferente para quem sempre foi ligada na tomada, mas não há alternativa. Minto; a alternativa é não viver.



    Escrito por má com acento mesmo às 01:17
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    911 Call Chuck Norris

    Alguns anos atrás, enquanto eu morava na Polônia, acordei no meu prédio antigo, cheio de famílias ricas, velhas e não tão limpas, com barulho de furadeiras. Me empacotei o melhor que pude para enfrentar a temperatura de menos 25C e saí do prédio, acreditando veementemente que um homicídio havia ocorrido. Faixas amarelas cercando o edifício, policiais e uma pequena multidão me esperavam do lado de fora. Em Varsóvia, falar inglês é mais do que uma especialidade, é uma raridade, eu diria. Meio frustrada eu saio para comprar minhas tulipas, como em toda quinta-feira. Ao voltar, encontro o Sr. Steven Seagal filmando uma parte de sua nova aventura. Ali, no meu prédio, um andar abaixo.

    Agora, esse mesmo Steven Seagal estréia um seriado de TV (Lawman) no qual ele, o ator, é também um policial. Gordo, velho e mais vermelho do que eu consigo me lembrar. Depois do Governador Schwarzenegger, o que nos resta senão um super-herói-policial? É a arte imitando a vida. Ou será o final dos tempos?



    Escrito por má com acento mesmo às 22:54
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    Second choices

    Você amigo leitor que me conhece sabe do meu amor pela música e minha paixão e fidelidade para com certos cantores e bandas. Daí que em pouco mais de um ano nessa cidade, começa a temporada de shows legais em Atlanta. Teve Jeremy Camp, Steven Curtis Champan, Mercy Me e... Third Day. Tudo assim, seguidinho, enquanto eu estava no Brasil. O legal da minha profissão é que de vez em quando, mas de vez do que em quando, a gente encontra umas celebridades e tal. Não é que o Third Day está indo para o Brasil? Eu, obviamente, só vou vê-los quando estiver na Indochina. A dúvida cruel é: amanhã peço autógrafos e fotas ou não? Boto para fora meu lado tiéte ou faço pose de chefe do Setor? Quantas dúvidas e quanta injustiça!



    Escrito por má com acento mesmo às 23:52
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    Quem bate? O frio

     

    As folhas das árvores nem mudaram de cor e a temperatura atlantana está 3C. Sim, senhores, tem geada, tem meias de lã e casacos grossos saindo dos armários e tem muito medo do inverno este ano.


    Foi só chegar em Atlanta e minha cor bronze-total-nova-mulher começou a descascar. Não tem óleo, creme ou pomada que mantenha a pele no lugar. Agora, além de lutar contra a gravidade, luto também contra o clima.


    A pessoa acaba de voltar de férias e está com a cabeça fresquinha, certo? Bem.... to bem conversando com uma pessoa no messenger e só me dei conta que era outra uns 20 minutos depois do primeiro "olá". Eu chego lá, pessoal.


    Hoje chorei depois de alguns dias sem chorar. Achei que tinha pago minha cota, mas pelo visto ainda tem coisa aí pra sair. O lado positivo da depressão é que não há fome. Sobrevivo, felizmente, de pilulinhas coloridas e multiformes e meu verdão pela manhã.


    Americano escolhe o nome do bebê antes de saber do sexo. É por isso que tem mulher chamada Todd ou André e homen chamado Shirley ou Sandra e outras aberrações por aí. Isso sem falar dos Page, Apple, Brown, Pencil e outras cositas mais. Freud explica esse mundo unissex, fala. E depois eu é quem tem de ir atrás de psiquiatra. Aliás, desejem-me sorte. Amanhã começa minha caça.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:00
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    Elucubrações

    Tô aqui pensando se Tostines vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais e ouvindo o novo CD da Ana: N9ve. Já vou logo dizendo que não é pra quem não gosta da Ana. Mas gosta mesmo, de verdade, independente se vende ou não, porque esse CD não vai vender tanto e se vender, não tocará tanto. Também não estará na trilha sonora da novela das oito (ou nove). A Ana quebrou definitivamente com a trilogia: Ana Carolina-Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina-Estampado e está cada vez mais experimental e instrospectiva.

    Gostei das parcerias com os (meus) desconhecidos John Legend e Esperanza Spalding, nem tanto da versão de "Resta" e da produção musical do álbum. As músicas estão lá, mas falta suíngue, balanço, brasilidade. Isso dito, é óbvio que meu CD já está furado de tanto eu ouvir. Mas o que eu amei mesmo foram as frases de efeito. O CD tá recheadinho delas, mas a preferida é "A minha oração é bem curta pro santo não entediar".

    Se você anda não conhece, faz assim, ó: espera o natal e compra na promoçã. Assim você não fica no prejuízo se não gostar.



    Escrito por má com acento mesmo às 22:30
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    Sonho

     

    Noite passada eu sonhei com você. Conversávamos sentadas em um café tão costumeiramente, como fizemos tantas vezes. Sem estresse, sem dramas, sem novidade, só você e eu tomando alguma coisa. Foi um daqueles sonhos realistas, em que a gente sente o toque da outra pessoa, sua mão na minha, seu olhar no meu. Tinha também aquela familiaridade que só você me faz sentir; de como só você me conhece tão bem. E o sonho foi me aquecendo por dentro, eu me espelhando em você, sorrindo envergonhada de ser vista assim tão nua pra você, porque eu nunca consegui esconder nada mesmo que quisesse. Fui sentindo aquela dormência boa nas pernas, nos ombros, nos braços, uma leveza na cabeça, a sensação da saudade me tomando aos poucos. E mesmo que tenha sido só um sonho, um sozinho em minhas tantas noites insones, noite passada eu voltei para você e dormi nos seus braços.



    Escrito por má com acento mesmo às 23:48
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    O preço da alegria

    Seis tubinhos de sangue depois a pessoa descobre que os níveis de serotonina estão abaixo de zero. Triglicerídios, lipídios, protídios e tudo que é índice dentro dos conformes, pelo menos. Agora é correr atrás do prejuízo: uns 600 reais na mais avançada tecnologia em pipulinhas da alegria, 200 reais em livros de auto-ajuda, 300 dólares em aula de yoga, 150 dólares por consulta em psiquiatras e, de quebra, umas maracujinas made in Brazil para não correr o risco de ficar homesick. Se tiver corrente de oração ou fogueira anti-depressão põe meu nome, se faz favor.



    Escrito por má com acento mesmo às 16:14
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    Wanna a bite?

     

    Tenho 35 anos, nenhum animal de estimação, uma família desfuncional e grande, um carro recém-comprado, um apartamento cheio de coisas que não são minhas, compulsão por limpeza, alguns amigos que não trocaria por nada, uma máquina de costura que não sei usar, uns poucos projetos inacabados, um temperamento difícil, uma bela coleção de rolhas, uma coluna verdadeiramente torta, uma lista considerável de pessoas que me detestam, vários sapatos que não uso, três bolsas reina madre, um ex-noivo, souvenirs de todos os países que visitei, péssima memória, segredos que não confesso nem a mim mesma, alergia a crustáceos e nenhum projeto para o futuro.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:11
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