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    Taipei - gosto adquirido

     

    um amigo vive me dizendo que é as mulheres chinesas são um gosto adquirido, mas eu realmente acho que isso se aplica a toda a China. A diferença de tudo é tão absurdamente grande e, ao mesmo tempo, há tantos pontos em comum com a sociedade consumista americana, que o choque cultural que você poderia sentir se dilui no meio da cultura, das pessoas e da cidade. Taipei é uma dessas misturas que deu certo. Você pode se perder no mundo de eletrônicos e roupas a preço de banana ou aproveitar seu tempo meditando nos jardins e templos antigos. Até a religião aqui é resultado do sincretismo do budismo, taoísmo e sei mais o quê. Os taiwaneses são amistosos e sempre sorridentes, mas te atropelam na rua sem muita cerimônia (mesmo com tala no pé). Falam pouco inglês, mas sempre se pode fazer negócio. Gostam de um estrangeiro, mas podem ser nacionalistas e "verdes". Comem muito mas conseguem manter a forma um tanto quanto quadrada de ser. A cidade é limpíssima, mas não tem lixeiras em lugar algum. Talvez tenha sido por isso que, sem saber, escolhi este lugar para alcançar meu equilíbrio. Taipei, com todas as suas contradições, eexibe todos os dias que é de yin e yang que se vive. E bem.


    Talvez por causa da SARS, a ordem agora é usar máscara. Mas não daquelas cirúrgicas porque elas não tem estilo. Escolha uma Hello Kitty, carinha smile, gatinhos, vaquinha, cachorro ou qualquer motivo de sua preferência. Não precisa combinar com a roupa.  Pelo menos 50% da população, entre velhos, crianças e adultos, usa. para se ter uma idéia do terror, se você espirra no metrô, pode ter certeza de que terá o vagão só para você.


    Ainda no quesito moda, as chinesas, coitadas, têm um senso de estilo de dar inveja no Falcão. Vista uma meia preta, um short bem curtinho, uma, não, duas ou três camisetas de cores e estampas diferentes. Acrescente um tênis ou sapatilha com lacinho (e toooooodas têm lacinho). O toque final é dado por uma sombrinha, toda linda e colorida. Ainda com esse carnaval de roupas, as chinesinhas são delicadas e elegantes. Dá pra notar o cuidado com a leveza e a graça, o que parece contraditório, mas não é.


    O anfitrião me leva num restaurante de comida tailandesa, com dança árabe, decoração jamaicana, música latina e narguilé. É a globalização, minha gente.


    Claro que é uma questão de gosto,  mas não achei um chinês que dava pro gasto. Não é só que todos têm a mesma cara, mas é a mesma cara sem graça. As chinesinhas até variam, se você olhar com calma. Estou aprendendo a arte da conquista aqui. Se você gosta de uma mocinha, vá ao mercado e compre a maior e mais bela melancia e deixe na porta da casa dela. Se ela aceitar, vai dar namoro, mas por enquanto não apareceu nem um melão na minha porta. Ainda não me disseram qual fruta dar pros mocinhos... um maracujá certamente cairia bem.


    No quesito comida, nada de escorpião frito, sopa de abelha, miolo de cobra... o prato principal é sempre uma sopa aguada com porco ou variações de porco e macarrão. Alguma pimentinha pra dar gosto e tofu, de prato principal e sobremesa. Aliás, uma coisa muito legal daqui é que não se põe açúcar em nada porque a comida já é bem agridoce. E as sobremesas tampouco são doces. Muita gelatina, muito chá e tá bom demais. Isso eu adotei de corpo e alma pra ver se perco a pança. Já perdi um quilo nessas semanas.Esportista


    Ir ao museu é uma diversão à parte, principalmente de cadeira de rodas. Imagine 20 excursões de escolas e velhinhos ao mesmo tempo querendo ver o repolho de jade. Amiguinhos, só não fui atropelada porque a cadeira era de aço. Então desenvolvi uma técnica de começar as exposições pelo fim e, depois de 3 horas, vi tudo, ouvi tudo e adorei tudo. Tanto os museus quanto os templos são lugares de contemplação, então não adianta correr. Take your time and enjoy! Atrações imperdíveis são os mercados populares, parecidos com nossas feiras. Vale muito a pena ir no Night Market, no Hell Valley e no Mercado de Jade. Lá você faz compras, um lanchinho, massagem, barganha, fica sabendo das últimas tendências... é cultura chinesa em poucas horas.


     Tem muito mais pra contar, pra ver, pra explorar e duas semanas não deram nem pro começo. Na minha jornada interior, Taipei foi certamente o lugar certo para começar. É claro que ainda tem muito choro, muita meditação, muita solidão... mas tem também o inusitado. E quem me conhece sabe que eu nunca o dispenso. Zai Jian.Piscadela



    Escrito por má com acento mesmo às 06:23
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    "O mar da história é agitado"

    Me perturbam os espamos que meu corpo dá enquanto tento meditar. Me perturba minha mordida trancada mesmo quando me esforço para soltar o queixo. Me perturbam os pensamentos que vagueiam por questões que nem de longe afligem minha alma. Me perturba a onda de calor que faz minha cabeça latejar. Me perturba o descontrole sobre minha respiração. Me perturba o fato dos remédios não estarem curando, só postergando os sintomas. Hoje eu oro como o salmista: "Be still, my heart, and wait for the Lord".


    Alguém fecha meus olhos pra mim, plis?



    Escrito por má com acento mesmo às 06:20
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    Eat, pray, love

    "Wake up, with a journal, and ask "what do you really, really, really want?" You have to say, really, really, really three times or else you don't believe it. And answer it truthfully and do it again the next day, and the next day, and the next. That's enough. It will come. It might be today, it might be the long term, but you start there. Because you can't set your journey if you don't know what you're for."

    Que força é essa que motiva as pessoas a saírem de sua zona de conforto e buscar o inominável? Ler "Eat, Pray, Love" me deu o pontapé inicial para tentar descobrir de onde essa força vem e em que ela consiste. Eu, neste ponto em que estou, não vejo luz no fim do meu túnel. Para mim, "essa mulher" não existe em mim. O que existe é o desejo incontrolável de que ela exista, mesmo que em um futuro distante.

    Longe de fazer do livro minha bíblia, como muitos têm feito, acredito que "Eat, Pray, Love" dá lições valiosas e práticas na busca daquilo que se quer. Ele dá ferramentas para você iniciar sua jornada sem fórmulas baratas e isso para mim é valioso. Assim como "As Boas Mulheres da China", o livro é um presente para a mulher balzaquiana contemporânea, mas tem de se estar pronta para ele.



    Escrito por má com acento mesmo às 23:16
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    Some people know better



    Escrito por má com acento mesmo às 23:07
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    Pray with me



    Escrito por má com acento mesmo às 22:02
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