Don't stop till you get enough
Odeio mídia porque massifica tudo tanto que a gente enche logo o saco e perde o valor da notícia. Algo como aqueles que falam "eu te amo" demais (nem preciso dizer que essas pessas me irritam) e depois as palavras ficam vazias. Eu sou econômica com meus "eu te amo'. Mas esse post é sobre o Michael Jackson. As pessoas não dão o valor devido ao Michael. Ficam só naquele "eu gostava dele quando ele era pretinho ainda, mas depois ele se tornou um 'freak'". Algo muito parecido com que as pessoas falam do Roberto Carlos (para quem não entendeu, isso de que "só a primeira fase da carreira dele é legal e que depois ele ficou 'brega'". E daí? Isso inutiliza a obra, a genialidade, a influência, a arte da pessoa? Cada um tem o direito de se tornar o que quiser, mas poucos podem dizer que deixaram na terra uma coisa boa. Michael Jackson deixou. Pense numa criança abusada pelo pai que dançava como se fosse boneco mamulengo e era lead singer de um grupo onde todos os outros eram mais velhos. Pense em quantas pessoas se vestiram com calças pega-marreco e meia branca (alguns ainda o fazem) e tentaram fazer o moonwalk. Pense num cara que se reinventou álbum após album por décadas a fio e mudou a cara do show biz (com ajuda da Madonna) e da música pop porque se arriscou e inovou. Se você não bate o pé ouvindo Billy Jean, ABC, The way you make me feel, Rock with you ou não sabe que o Video Show está começando por causa de Don't stop till you get enough, você é provavelmente muito novo pra ler esse post. No seu caso, eu sugiro uma hora initerrupta de Michael Jackson. Se você já foi atrás do seu CD "As melhores do Michael Jackson", aumenta o som.
Escrito por má com acento mesmo às 21:59
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Um brinde às polianas

Tenham paciência com quem tem tão pouca paciência, meus caros. Ou melhor, não tenham paciência porque eu descobri a arte de me irritar. Me irrito com as perguntas idiotas dos turistas que querem ir ao Brasil, me irrito com o barulho do ventilador do meu PC enquanto escrevo esse texto. Me irrito com o fato de todos os meus sapatos machucarem meu pé. Me irrito com o fato de que provavelmente terei de tirar outro pedaço de mim. Me irrito porque o tempo passou e eu ainda não tenho um carro, uma casa, um cônjuge, um filho. Me irrito porque as versões das músicas são cópias mal-feitas e mal arranjadas e todo mundo continua ouvindo sem parar. Me irrito porque não consigo falar uma frase completa sem chorar. Me irrito porque estou começando realmente a acreditar que estou perdida. Me irrito porque não consigo ser gentil comigo, nem com os outros. Me irrito porque tenho de atravessar meu quarto para entrar no meu banheiro. Me irrito porque minha "imunidade diplomática" não me imunizou contra as dores de morar no exterior. Me irrito porque, não importa o que eu falar ou fizer, vai estar errado. Me irrito porque não consigo sair desse buraco que eu mesma cavei. Me irrito com minha incapacidade de mexer com computadores e de entender matemática. Me irrito com a incapacidade do outro de me ver quebrada e me dar um "como vai?". Me irrito com minha inércia, e com minha reação, minha auto-defesa e minhas limitações. Me irrito porque tenho de me explicar para as pessoas quando eu mesma estou à procura de respostas. Me irrito com a política, o sexo, a raiva, a monotonia, o circo, o oba-oba, a frescura, a falta de modos, a alegria contagiante, o trabalho, o lazer, o sol quente e a chuva forte, o fato de não saber nadar e não poder dançar, meu cabelo curto, os cachorros da vizinhança e a pose, os vinhos ruins e caros e os vôos sem serviço de bordo. Me irrito com o que vive e pulsa, e com o morno e apagado. Os livros de auto-ajuda e a falta de auto-estima. Só não me irritava com a morte, até o Michael Jackson morrer, mas isso é assunto para outro post.
Escrito por má com acento mesmo às 23:59
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Enquanto isso na cozinha...

No ritmo de vamos continuar emagrecendo, a pessoa resolveu preparar um peixinho básico. Aí vai a receita até pra quem não sabe o que é uma panela. Compre os filezinhos do seu peixe preferido. Eu comprei mahi. Regue com um limão bem suculento, por dentro e por fora, por cima e por baixo porque peixe fedendo peixe é meio broxante. Seque com um papel toalha e esfregue no bichinho: curcuma (também conhecida como açafrão da terra no Brasil), gengibre fresco ralado e um tiquim de curry. Enrole cada filé em um papel alumínio, regue tudo com azeite e esqueça dele por uma meia hora. Enquanto isso, seu forno esquenta e você coloca os pacotinhos na refratária. Vinte minutinhos e seus filés estão prontos para serem degustados. Com vinho branco, por favor, preferencialmente um sauvignon blanc chileno. Só não pus a fotinha do meu aqui porque essa delícia só vai terminar amanhã.
Escrito por má com acento mesmo às 23:16
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em busca do santo graal

Não querendo diminuir o sofrimento de ninguém, que este ano não está peixe, minha nova crise está fincada no chão. Meus pezinhos são fuefos, vocês sabem, mas achar sapato para quem torceu os ligamentos TWICE em menos de um ano e que calça 33 (ou 4.5 aqui nos Istaites) é tarefa para Jó. Então a gente começa a especificar: não pode mostrar os dedinhos porque, digamos, faz parte de uma das minhas esquisitices; não pode ser totalmente baixo porque piora a coluna e não ajuda na postura; não pode ter cor esdrúxula porque é impossível achar nos Istaites lugar onde se pinta sapato e a gente é muito tradicional nas cores; não pode ter brilho, lantejoula, strass, swarovski, ou coisa do gênero; não pode ter salto maior do que 4 cm e mesmo assim o salto tem de ser grosso, firme; tem de ter anti-derrapante a prova de escadas e algumas taças de vinho a mais; tem de combinar com meus terninhos e com meus vestidinhos, dos shortinhos aos longos da balada; e tem de caber no orçamento. Daí que eu gogglei tudo isso e a resposta veio certinha no site: www.ramarim.com, linha Total Comfort Peep Toe. Agora, é achar a alma caridosa que vá de loja em loja perguntar se eles têm número 33 para eu não passar as férias intirinhas no Brasil andando de havaianas. Para incentivar, vou levar meus Datelli e italianos de saltos mortais para distribuir para as pobres de bolso e pequenas de pé.
Escrito por má com acento mesmo às 22:37
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Para gringo beber

Então lá estou eu na academia do prédio, linda e louca, me acabando pra fazer 150 abdominais quando chega a personal trainer e fala dessa bebida revolucionária que ela está comercializando e que, em mais de 25 anos de carreira ela nunca viu algo tão miraculoso. Ela fica tão empolgada que vai no apartamento pegar um “sample”. Lá me chega a mulher com uma garrafa com um líquido vermelho escuro dentro e me oferece um trago. “Não tem álcool,” ela me diz. Eu respondo que só tomo bebidas alcoólicas, mas que vou experimentar assim mesmo. Ao me entregar o copo ela diz, “essa é a quantidade diária de frutas e verduras que você precisa ingerir”. “O que tem nisso?”, eu pergunto. Ela me diz que é uma mistura de 10 “berries” e começa a listar alguns: açaí, romã, acerola… eu já interfiro comentando orgulhosamente que essas são frutas do Brasil ao que ela aquiesce e só corrige o fato de que “acerola vem da Costa Rica” (Hã??????) Bem, mas o trick, diz ela, o que faz a diferença dessa bebida é, senhoras e senhores adivinhem se puderem… cupuaçu (que ela pronuncia “cupuásso”). Essa planta miraculosa que está renovando a floresta amazônica. E tudo isso pelo módico preço de 37 dólares a garrafa, que contém 12 doses. A caixa com quatro garrafas sai por um preço ainda mais camarada: 130 doletas. Com essa informação, termino calmamente minha dose, jogo a toalha no cesto e venho anunciar aos meus conterrâneos que vou começar a fazer garrafadas e vender nos Istaites. Posso até colocar umas frutas mais exóticas como umbu, pitomba e genipapo, com direito a transcrição fonética no rótulo.
Escrito por má com acento mesmo às 21:17
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E se eu estiver, realmente, ficando louca?

E se eu estiver verdadeiramente enlouquecendo? Agora mesmo, colorindo, li “amarelo médio” como “amarelo medo”. E aí decidi fazer uma lista das 5 coisas que mais tenho medo no mundo: 1. Aranhas. Até das pequenininhas de pernas longilíneas. Morro de medo de aranhas; 2. Escuro. Tenho medo das possibilidades que o escuro traz, daquilo que não consigo ver; 3. Morrer só. Medo de nos meus últimos dias ser só eu e a enfermeira da clínica; 4. Água. Medo de não alcançar o fundo nunca e me perder na imensidão; 5. Abrir mão. Medo de largar as coisas e as pessoas e elas não voltarem para mim, não sentirem minha falta.
Escrito por má com acento mesmo às 22:25
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de palavras e conclusões

Ando sumida porque estou escrevendo em outras paragens. Coisas mais íntimas, profundas e chatas demais para serem escritas aqui, no ciber espaço.Enquanto isso ando encantada com palavras como nonchallant e adamant. Mesmo que não se saiba o significado de palavras assim, é fácil ficar hipnotizado pela sonoridade e elegância delas. Mas para isso é preciso repetir em voz alta, over and over, ou na cabeça com a voz da Emma Thompson. Alguém sabe de algum audio book narrado pela Emma Thompson? Pode ser até em hebraico, ou alemão, não tem como algo na voz dela não soar certo e precioso e digno de atenção. Estou me cercando das letras. Recentemente li o maior estudo feito (em tamanho e duração) sobre comportamento humano. Resultados? (por que estamos todos sempre procurando os resultados? As fórmulas?). Anyway, descoberta interessante, a despeito do resultado, é que emoções positivas nos tornam mais vulneráveis do que negativas. Primeiro, porque as primeiras são voltadas para o futuro, enquanto as negativas têm efeito imediato e nos protegem de ataques. Mas são as emoções positivas que nos trarão, a longo termo, gratidão e alegria, mesmo nos colocando em maior risco. Minha pergunta então seria: será que não vale a pena encarar o risco agora? Pergunto como que retoricamente, pois me descobri altamente medrosa à medida que o tempo foi passando e eu envelhecendo. Eu admito que tenho medo da felicidade. Mais ainda, ando correndo dela. O estudo conta de um médico cuja esposa recolheu de mais de 100 pacientes cartas de gratidão com relação a seu trabalho. Alguns pacientes foram além dos “thank you note” e mandaram fotos, contaram o desenrolar de suas vidas… A esposa reuniu todas essas cartas em uma caixa de seda e deu para ele de presente no dia da aposentadoria. Oito anos depois, esse senhor entrega ao pesquisador a caixa intacta dizendo não saber o que fazer dela, que jamais a tinha aberto. No espírito do altruísmo, ou da prática dele, desvendo aqui o resultado do estudo: amor e intimidade, em seus vários aspectos, são a chave do envelhecimento bem sucedido e, porque não, da felicidade. Mas para mim, o resultado do estudo é que “It is very hard for most of us to tolerate being loved.”
Escrito por má com acento mesmo às 23:23
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