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    Descanso meu estojo


    Sua estupidez não lhe deixa ver

    A estúpida pessoa que vos escreve viu o CD ao vivo da Roberta Sá lá na prateleira, acenando pra mim, todo novinho, cheio de plástico difícil de abrir e tudo, e o que fez? Pensou, "eu tenho os outros, não preciso deste". A resposta, no entanto, estava: ERRADA! Roberta Sá nunca é demais. Nunca! Agora, espera chegar no Amazon e sofre enquanto os outros têm e você não.


    Não é fenômeno novo esse da língua portuguesa e não deveria me incomodar tanto, mas incomoda. Tá mais difuso, mais comum, mais hororroso nos meus ouvidos. A nova gramática oral portuguesa usa pronome pessoal e... pronome pessoal de novo juntinho com relativo na mesma frase assim, ó: A Má é uma pessoa que ela está em crise. 

    Eu sei, você está balançando a cabeça e dizendo "Isso eu nunca ouvi". Ouviu sim. Pare aí e ouça agora mesmo. E grite por mim e por você.


    Vou logo avisando, o excelentíssimo presidente desta democracia hipócrita declarou solenemente que não há crise nos Istaites. BS!!! Eu AINDA estou em crise, apesar da tecnologia, da modernidade e das apostas contrárias.


    Enquanto isso, no lado B, a amiga salvou um dia insalvável. Sim, esse eu cunhei mas não tem direitos autorais. Pode usar.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:00
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    mas isso não importa mais não

    Eu nunca tinha entendido o motto: viver um dia de cada vez. Agora, depois de muito sofrimento e leitura e portas na cara, acho que entendo. A gente vive nesse lema porque na verdade não há futuro. Não há planos para amanhã, nem pra o fim de semana, nem o próximo feriado, nem sequer férias. Há o nada e a gente se acostuma a viver com o nada porque na verdade o nada é a única coisa que nos resta. Acordar a cada manhã e conseguir levantar da cama é a vitória suprema. E daí, é um passo na frente do outro. Certamente é um estilo diferente para quem sempre foi ligada na tomada, mas não há alternativa. Minto; a alternativa é não viver.



    Escrito por má com acento mesmo às 01:17
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    911 Call Chuck Norris

    Alguns anos atrás, enquanto eu morava na Polônia, acordei no meu prédio antigo, cheio de famílias ricas, velhas e não tão limpas, com barulho de furadeiras. Me empacotei o melhor que pude para enfrentar a temperatura de menos 25C e saí do prédio, acreditando veementemente que um homicídio havia ocorrido. Faixas amarelas cercando o edifício, policiais e uma pequena multidão me esperavam do lado de fora. Em Varsóvia, falar inglês é mais do que uma especialidade, é uma raridade, eu diria. Meio frustrada eu saio para comprar minhas tulipas, como em toda quinta-feira. Ao voltar, encontro o Sr. Steven Seagal filmando uma parte de sua nova aventura. Ali, no meu prédio, um andar abaixo.

    Agora, esse mesmo Steven Seagal estréia um seriado de TV (Lawman) no qual ele, o ator, é também um policial. Gordo, velho e mais vermelho do que eu consigo me lembrar. Depois do Governador Schwarzenegger, o que nos resta senão um super-herói-policial? É a arte imitando a vida. Ou será o final dos tempos?



    Escrito por má com acento mesmo às 22:54
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    Second choices

    Você amigo leitor que me conhece sabe do meu amor pela música e minha paixão e fidelidade para com certos cantores e bandas. Daí que em pouco mais de um ano nessa cidade, começa a temporada de shows legais em Atlanta. Teve Jeremy Camp, Steven Curtis Champan, Mercy Me e... Third Day. Tudo assim, seguidinho, enquanto eu estava no Brasil. O legal da minha profissão é que de vez em quando, mas de vez do que em quando, a gente encontra umas celebridades e tal. Não é que o Third Day está indo para o Brasil? Eu, obviamente, só vou vê-los quando estiver na Indochina. A dúvida cruel é: amanhã peço autógrafos e fotas ou não? Boto para fora meu lado tiéte ou faço pose de chefe do Setor? Quantas dúvidas e quanta injustiça!



    Escrito por má com acento mesmo às 23:52
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    Quem bate? O frio

     

    As folhas das árvores nem mudaram de cor e a temperatura atlantana está 3C. Sim, senhores, tem geada, tem meias de lã e casacos grossos saindo dos armários e tem muito medo do inverno este ano.


    Foi só chegar em Atlanta e minha cor bronze-total-nova-mulher começou a descascar. Não tem óleo, creme ou pomada que mantenha a pele no lugar. Agora, além de lutar contra a gravidade, luto também contra o clima.


    A pessoa acaba de voltar de férias e está com a cabeça fresquinha, certo? Bem.... to bem conversando com uma pessoa no messenger e só me dei conta que era outra uns 20 minutos depois do primeiro "olá". Eu chego lá, pessoal.


    Hoje chorei depois de alguns dias sem chorar. Achei que tinha pago minha cota, mas pelo visto ainda tem coisa aí pra sair. O lado positivo da depressão é que não há fome. Sobrevivo, felizmente, de pilulinhas coloridas e multiformes e meu verdão pela manhã.


    Americano escolhe o nome do bebê antes de saber do sexo. É por isso que tem mulher chamada Todd ou André e homen chamado Shirley ou Sandra e outras aberrações por aí. Isso sem falar dos Page, Apple, Brown, Pencil e outras cositas mais. Freud explica esse mundo unissex, fala. E depois eu é quem tem de ir atrás de psiquiatra. Aliás, desejem-me sorte. Amanhã começa minha caça.



    Escrito por má com acento mesmo às 00:00
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    Elucubrações

    Tô aqui pensando se Tostines vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais e ouvindo o novo CD da Ana: N9ve. Já vou logo dizendo que não é pra quem não gosta da Ana. Mas gosta mesmo, de verdade, independente se vende ou não, porque esse CD não vai vender tanto e se vender, não tocará tanto. Também não estará na trilha sonora da novela das oito (ou nove). A Ana quebrou definitivamente com a trilogia: Ana Carolina-Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina-Estampado e está cada vez mais experimental e instrospectiva.

    Gostei das parcerias com os (meus) desconhecidos John Legend e Esperanza Spalding, nem tanto da versão de "Resta" e da produção musical do álbum. As músicas estão lá, mas falta suíngue, balanço, brasilidade. Isso dito, é óbvio que meu CD já está furado de tanto eu ouvir. Mas o que eu amei mesmo foram as frases de efeito. O CD tá recheadinho delas, mas a preferida é "A minha oração é bem curta pro santo não entediar".

    Se você anda não conhece, faz assim, ó: espera o natal e compra na promoçã. Assim você não fica no prejuízo se não gostar.



    Escrito por má com acento mesmo às 22:30
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    Sonho

     

    Noite passada eu sonhei com você. Conversávamos sentadas em um café tão costumeiramente, como fizemos tantas vezes. Sem estresse, sem dramas, sem novidade, só você e eu tomando alguma coisa. Foi um daqueles sonhos realistas, em que a gente sente o toque da outra pessoa, sua mão na minha, seu olhar no meu. Tinha também aquela familiaridade que só você me faz sentir; de como só você me conhece tão bem. E o sonho foi me aquecendo por dentro, eu me espelhando em você, sorrindo envergonhada de ser vista assim tão nua pra você, porque eu nunca consegui esconder nada mesmo que quisesse. Fui sentindo aquela dormência boa nas pernas, nos ombros, nos braços, uma leveza na cabeça, a sensação da saudade me tomando aos poucos. E mesmo que tenha sido só um sonho, um sozinho em minhas tantas noites insones, noite passada eu voltei para você e dormi nos seus braços.



    Escrito por má com acento mesmo às 23:48
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    O preço da alegria

    Seis tubinhos de sangue depois a pessoa descobre que os níveis de serotonina estão abaixo de zero. Triglicerídios, lipídios, protídios e tudo que é índice dentro dos conformes, pelo menos. Agora é correr atrás do prejuízo: uns 600 reais na mais avançada tecnologia em pipulinhas da alegria, 200 reais em livros de auto-ajuda, 300 dólares em aula de yoga, 150 dólares por consulta em psiquiatras e, de quebra, umas maracujinas made in Brazil para não correr o risco de ficar homesick. Se tiver corrente de oração ou fogueira anti-depressão põe meu nome, se faz favor.



    Escrito por má com acento mesmo às 16:14
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