Descanso meu estojo


Ponto final

Acaba aqui este blog. Gracias aos que tiveram a paciência de me ler nesses anos.Alegre



Escrito por má com acento mesmo às 01:34
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Wines I can't afford

Neste mundo vitivinífero poucas são as chances que degustadores não profissionais, como  moi, têm acesso aos grandes vinhos e grandes safras. Ontem, em um golpe de sorte, entretanto, tive oportunidade de provar três magníficos vinhos, digamos, "famosos" e outros menos conhecidos mas impressionantes. Comecemos pela estrela da noite: Clarendon Hills, 2001, australiano, com 99 pontos pelo Sr. Parker. Absolutamente fantástico! Mesmo não sendo minha uva favorita, esse sirah é redondo, completo e complexo e fica melhor a cada gole. O nariz é spicy mas doce (Sr Parker chama de  "flor de acácia". Eu, que nunca cheirei acácia, só sei que é estonteante). Para se ter idéia, seu potencial de guarda é entre 30 e 45 anos. É um desses cuja parceria com comida seria, no mínimo, uma ignorância.

Depois, nada menos que um Lafite Rothschild 2002, lindo, tudo o que se espera de um bom bordeaux e estremamente complexo no nariz. A nota do Sr Parker foi nada menos que 94. Excelente para acompanhar uma carne de caça ou um bom cordeiro assado. Indo para o novo mundo, destaque para o Leonetti, 2005, 100% merlot. Aromático, redondinho na boca e, apesar de seus 14.5% de álcool, nada agressivo. Eu, se tivesse, ainda poderia guardá-lo por uns 20 anos sem medo. 

E depois, ah, depois teve Margaux, teve Chateauneuf du Pape, teve tanta coisa linda que nem sei mais. A má notícia é que para conseguir repetir a proeza ou eu faço pacto com o destino ou rezo para entrar nessa listas secretíssimas de compradores de lotes fechados para beber em algum ano, quando chegar a caixa. 



Escrito por má com acento mesmo às 15:54
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Ah, a loucura

manicomio1.jpg

Assisti Shutter Island sábado passado e saí perturbada, mais do que o normal. Não sou lá fã do Scorcese, nem do DiCaprio, mas admito que o filme é bom. Pena ter saído antes do Oscar porque, com a competição como está, tinha muita chance de levar alguma coisa. Mas o filme enfoca o fenômeno da dissociação _ quando sua vida está tão ruim que você cria uma realidade alternativa e crê nela com tanta ou mais veemência do que a própria realidade. É quando a gente conta a mesma mentira tantas vezes que no fim não sabe se criou aquela estória ou se ela aconteceu de verdade. Ou quando sonha tão real que depois se pergunta quando foi mesmo que isso aconteceu.

Todos temos isso, em maior ou menor grau. O perigo é quando nos perdemos. Tive oportunidade de conviver com várias pessoas assim desde minha adolescência e nunca soube muito bem como lidar com isso. Na terapia, fazem a gente pisar no chão com os dois pés, olhar para os lados e se trazer lentamente para a realidade. Na ficção, te colocam na terapia de choque ou escrevem livros sobre sua vida. Quite disturbing, pra ser sincera. 

O fato é que a cada dia as doenças da mente estão mais na moda e, apesar disso, sabe-se menos sobre elas. Na época de minha mãe ninguém era estressado ou tinha bipolaridade. Atualmente, estima-se que 20% da população mundial sofra depressão, isso sem falar nas diversas formas de distúrbios de ansiedade (aliás, distúrbio é quase uma palavra do contemporânea). Na minha família, falar em psiquiatra ainda é tabu e em muitos empregos, pelo menos aqui nos Istaites, ter em sua ficha visitas a um psicólogo podem diminuir severamente as chances de você ganhar a vaga. O que é um paradoxo, dado o elevado número de empregados que resolvem, do dia pra noite, atirar para todos os lados, literalmente.

Me entristeceu ver que, passados bons 50 anos da estória do filme, as pessoas ainda têm pouquíssima habilidade de lidar com esse tipo de doença. A reação é ignorar ou confrontar. E depois acham difícil a gente tomar o primeiro passo e se aceitar. 



Escrito por má com acento mesmo às 00:51
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